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"Belas e lúdicas as ilustrações prendem a atenção e despertam a fantasia que une adultos e crianças." (Bons Fluídos, fev. 2009)



* Acima, lápis de cor e aquarela sobre canson. Analu Alves - 05/2010.



Páginas

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*Lápis de cor sobre Canson. Início - Festa Junina; Links - Congado; Técnica - Festa do Divino; Mamulengo; Fotos - Bois Caprichoso e Garantido; Agenda - Procissão do Fogaréu.



Ana e os Bonecos - Tradutor

Ana e os Bonecos - Pesquisa

13/07/2010

Ana e os Bonecos - Chico Daniel - Mamulengo

Queridos,
apresento um texto muito bem feito sobre a vida de um dos maiores mestres mamulengueiros: Chico Daniel. Ele, já nos deixou mas, sua obra parece imortal para os admiradores desta arte tão brasileira.

Eu mesma não tive a oportunidade de assistir Chico. Mas, já vi apresentações de mamulengo e são ótimas! Conheço pessoas que questionam a arte por não ser plasticamente "bonita". Ou pelo estilo ou "falta" da dramaturgia já que os espetáculos de mamulengo se baseiam no improviso. Cabe-me como criadora e diretora do blog oferecer e fomentar a arte do mamulengo brasileiro. Afinal, este é o nosso boneco.

De modo pessoal aprecio bastante a arte do mamulengo. Acho-a bastante bela! Como não? Ela reflete a vida do povo brasileiro principalmente o nordestino. Acredito que nela estejam nossas raízes, um pouco de nós. Não há como não se identificar.

Cabe a nós bonequeiros, cuidar para que o mamulengo não se acabe. Para que não aconteça com ele o que aconteceu ao Zé Minhoca e tantos outros.

Boa leitura!

Salve, salve o mamulengo brasileiro!
Att. Analu Alves.   


Chico Daniel: saudades do mestre mamulengueiro

Fonte: Overblog. Por: Yuno Silva • Natal, RN 9/3/2007 • 266 • 18
Fotos/créditos: Internet. 


Desde que me entendo por gente já me divertia com as trapalhadas do negro Baltazar, com as ordens descabidas e absurdas do Capitão João Redondo, que fazia tudo para manter as aparências para o padre Biapino, as bordoadas, piadas interrompidas por risadas do próprio boneco que por si só já eram outra piada .. sem falar na paródia da música Jesus Cristo (Roberto Carlos) que ficou gravada na minha lembrança:

“Tem mosquito, tem mosquito, tem mosquito não posso dormir / Olho pro céu e vejo uma nuvem preta de urubu / Olho pro chão e vejo um grupo tomando (glup!) coca-cola (...)”, e outras rimas que nunca eram pronunciadas!!

E dá-lhe risada da molecada de todas as idades, com histórias de temática religiosa e piadas populares transformadas em ‘besteirol’ educativo. Momentos deliciosos que poderiam ser degustados em qualquer lugar onde o ‘paninho do palco’ pudesse ser montado. Em praça pública ou teatro, em feiras ou festivais, lá vinha seu Chico Daniel com sua indefectível mala abarrotada de bonecos (mamulengos, fantoches, títeres) — cerca de 40 personagens — pronto para aprontar.

Mestre mamulengueiro

Sapateiro e artista. Potiguar de Assu e adotado pelo bairro de Felipe Camarão, em Natal, há quase 15 anos, Francisco Ângelo da Costa — filho de Daniel Ângelo da Costa — era dessas sumidades incontestáveis.

Descendente de uma linhagem de mestres mamulengueiros, o Chico de Daniel deixou saudades, fãs e personagens como Baltazar, filho adotivo do capitão João Redondo, órfãos. Dia 3 de março último, pronto e cheiroso pra mais uma apresentação, perguntou se todos já tinham se arrumado que ele estava “pronto pra partir”, relatou Keyla Elói da Silva, 23, filha do coração e espécie de secretária geral do mestre ‘bonequeiro’. Pouco depois um ataque fulminante no coração derrubou nosso Chico Daniel, que sabia que tinha problemas cardíacos e seguia à risca todas as recomendações médicas.

A última apresentação de Chico Daniel aconteceu um dia antes, dia 2 de março, no Largo da Cabocla, Felipe Camarão. Na mesma semana, dia 26 de fevereiro, Hermano Vianna, mesmo sem saber, presenciou um momento histórico em sua rápida visita à Natal.

Canto de parede

“A primeira vez que vi um mamulengo foi andando mais meu pai. Ele andava de fazenda em fazenda e a gente mais ele. A gente era tudo menino pequeno. Eu achei bom aquele trabalho. Foi o tempo que eu aprendi a bater no pandeiro. Era um cara no fole, eu no pandeiro e meu irmão no triângulo. A gente tocava para os bonecos do meu pai”, diz Chico, lembrando que foi naquela época (anos 1950-60) que ele sentiu vontade de aprender a arte dos mamulengos: “Mamãe fez um paninho para mim e eu armava assim num canto de parede e meu pai fez uns bonequinhos da cabeça pequena. Foi assim que comecei a praticar”, resumiu o Mestre, em depoimento registrado no livro “Chico Daniel — A Arte de Brincar com Bonecos”, lançado em 2002 pelas jornalistas Ângela Almeida e Marize de Castro.


Imã de Mestres

Felipe Camarão, típico bairro de periferia, parece ter um imã no subsolo que atrai mestres como Manoel Marinheiro, mestre do Boi de Reis (considerado Patrimônio Imaterial pela Unesco e MinC), Mestre Cícero da Rabeca, em plena atividade, e o já saudoso bonequeiro.

Essa peculiar realidade local despertou na educadora Vera Santana o desejo de ver, ou melhor, de não ver essa arte ser esquecida: em 2003 criou o Projeto Conexão Felipe Camarão, que já é Ponto de Cultura chancelado pelo Ministério da Cultura – MinC, e hoje referência de projeto social bem sucedido.

O trabalho de valorizar a cultura que pulsava espontaneamente no bairro há décadas, levantou a moral e devolveu a auto-estima da população: Felipe Camarão saiu das páginas policiais direto para os cadernos de cultura. Quem já participou de eventos no bairro, percebe o orgulho à flor da pele! Uma vibração comunitária real, profunda e sem preço...

Como resultado desse sonho concretizado, Vera e os Mestres podem ficar tranqüilos que o legado terá continuidade: além do grupo de Boi de Reis Mirim do Mestre Manoel Marinheiro e o Conexão Rabeca, os filhos de Chico Daniel — Toinho e Josivan — já provaram que tem cacife pra construir bonecos, continuar as brincadeiras e ensinar outras pessoas a arte do mamulengo.

Vamos aguardar os próximos capítulos na praça mais próxima, e ficar atentos para ver se Baltazar e o Capitão João Redondo aparecem no ‘paninho’ e acabam com essa saudade!

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